Alberto Borges de Souza indica o filho como sucessor e organiza a participação dos herdeiros, preservando direitos de voto e rendimentos.
Alberto Borges de Souza, maior acionista da Caramuru Alimentos, formalizou a sucessão de seu núcleo familiar em acordo assinado em 4 de novembro de 2026. Segundo reportagem do AgFeed publicada pelo BiodieselBR, Márcio Nagao de Souza foi escolhido para sucedê-lo na liderança do bloco familiar. A reorganização preserva o comando vitalício do patriarca.
Como fica a participação familiar
A holding Nagatsuzuki Participações concentra a fatia de 41,6% desse ramo da família na Caramuru. A operação envolve Alberto e seus quatro filhos: Márcio, Camila, Ludmila e Juliane.
Parte das participações foi doada aos herdeiros com reserva de usufruto vitalício. Pelo arranjo descrito na reportagem, Alberto conserva os votos e os rendimentos associados às ações transferidas. Assim, a distribuição patrimonial ocorre com manutenção de sua autoridade sobre o bloco.
Sucessor já participa da governança
Márcio já ocupa a vice-presidência do Conselho de Administração da Caramuru, conforme a página institucional da empresa. Formado em Administração e com MBA em Gestão Empresarial, possui experiência na Nagatsuzuki e na administração de participações familiares. Sua indicação, portanto, está ligada a uma trajetória anterior nas estruturas empresariais da família.
O acordo prevê, após a sucessão, decisões familiares por maioria, com prerrogativas específicas para o líder. Determinadas operações estratégicas dependerão também de seu voto favorável. O instrumento tem prazo inicial de dez anos e renovação automática.
Camila também integra o Conselho de Administração. A composição divulgada pela companhia reúne integrantes da família e conselheiros independentes, sob a presidência de Gustavo Loyola. Essa estrutura ajuda a situar a sucessão dentro de uma organização que já possui diferentes instâncias de representação dos acionistas e acompanhamento dos negócios.
Gestão executiva segue com Marcus Thieme
Na diretoria, a Caramuru identifica Marcus Erich Thieme como diretor-presidente. Desde outubro de 2026, ele exerce exclusivamente essa função, depois de acumular anteriormente responsabilidades financeiras e de relações com investidores. Alexandre Mariano da Silva ocupa a diretoria financeira e de relações com investidores.
A distinção entre essas funções permite compreender o alcance da notícia: a liderança familiar está relacionada à articulação dos acionistas, enquanto a diretoria conduz a administração executiva. A reportagem informa que a reorganização não altera a gestão da companhia.
Biocombustíveis ajudam a explicar a relevância do negócio
A sucessão ocorre em uma companhia que apresenta os biocombustíveis como parte central de sua estratégia. No Relatório de Sustentabilidade de 2025, a Caramuru descreve a integração entre processamento de soja, produção de óleo e fabricação de biodiesel, associando esse segmento às perspectivas de crescimento de longo prazo.
Segundo a divulgação dos resultados do relatório, os biocombustíveis representaram 31% do faturamento em 2025. A empresa encerrou aquele exercício com receita operacional líquida de R$ 8,2 bilhões e lucro líquido de aproximadamente R$ 571 milhões. Esses números dimensionam a atividade econômica por trás da reorganização familiar.
O documento também relaciona a estratégia industrial à originação de matérias-primas, à rastreabilidade e à logística. Esse contexto mostra por que as regras de participação dos acionistas interessam além da família: elas compõem a governança de uma empresa com atividades conectadas às cadeias de alimentos e energia.
Fontes: BiodieselBR/AgFeed — reportagem de 6 de novembro de 2026; Caramuru — Diretoria, Conselhos e Comitês; Caramuru — Relatórios de Sustentabilidade; Portal Nosso Meio — divulgação do relatório de 2025.
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