Reportagem da Revista Liberta aponta pagamentos milionários a empresas ligadas ao grupo; documentos da Secom confirmam contratações, mas não permitem validar todos os valores e prazos mencionados.
A participação de empresas vinculadas à FSB Holding na comunicação do governo federal ganhou destaque em reportagem publicada pela Revista Liberta em 7 de novembro de 2026. A publicação aborda contratos de comunicação institucional, relações públicas no exterior e pesquisas de opinião, além de possíveis mudanças na distribuição desses serviços entre fornecedores.
Segundo a revista, sete empresas atualmente ligadas ao grupo receberam R$ 985,34 milhões em pagamentos federais entre 2014 e outubro de 2026. Desse levantamento, a publicação atribui R$ 554,15 milhões a pagamentos do Planalto durante o terceiro mandato de Lula. Os totais não foram confirmados de forma independente nos documentos consultados e devem ser entendidos como informações atribuídas ao veículo.
O que os registros oficiais mostram
A página de transparência da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República identifica a FSB Comunicação e Planejamento Estratégico como contratada originalmente no instrumento nº 38/2022. Seu objeto abrange planejamento e execução de comunicação corporativa, relacionamento com a imprensa, relações públicas e produção de conteúdos multimídia, com atuação nacional e internacional.
O histórico registra a transferência dos direitos e obrigações do Ministério das Comunicações para a Secom. Também informa que, após uma cisão empresarial, a execução passou à Internacional PR Ltda. Essa alteração é relevante para acompanhar os gastos: uma consulta limitada ao nome original da contratada pode deixar de identificar documentos posteriores do mesmo contrato.
No sexto termo aditivo, firmado em março de 2025, o valor estimado da contratação foi mantido em R$ 75 milhões. O próprio documento estabelece que os pagamentos dependem dos serviços efetivamente prestados. Portanto, esse valor contratual não pode ser apresentado automaticamente como dinheiro já desembolsado pelo governo.
Pesquisas têm contrato e finalidade próprios
Na área de opinião pública, a Secom disponibiliza o contrato nº 33/2022, originalmente firmado com o Instituto de Pesquisa de Reputação e Imagem, o IPRI. Um apostilamento registra a mudança da razão social para Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, mantendo o CNPJ indicado no instrumento.
O serviço contratado compreende entrevistas domiciliares presenciais e entrevistas telefônicas assistidas por computador em todo o território nacional. Inclui planejamento, elaboração de questionários, coleta de dados, análise e apresentação dos resultados. Trata-se, portanto, de uma contratação específica de pesquisa, distinta da produção de peças de comunicação e do relacionamento com a imprensa.
O quarto aditivo, assinado em março de 2025, manteve o valor estimado em R$ 11,9 milhões. Assim como no contrato de comunicação, o texto condiciona os pagamentos à quantidade de serviços executados. A comparação entre cifras exige preservar essa diferença entre previsão contratual e execução financeira, além de observar o período correspondente a cada documento.
Prazo de 2027 ainda exige confirmação documental
A Revista Liberta informa que três contratos se encerrariam em março de 2027 e relata uma perspectiva de distribuição dos serviços entre mais agências. Entretanto, os aditivos localizados para os contratos nº 38/2022 e nº 33/2022 estabelecem vigência de 1º de abril de 2025 a 31 de março de 2026.
Essa diferença não demonstra, por si só, que a informação da revista esteja incorreta: podem existir documentos posteriores que não foram localizados. Significa, porém, que o prazo de 2027 não ficou comprovado nesta consulta. Também não foi possível confirmar, por edital consultado, quantas empresas seriam selecionadas em futuras contratações ou qual seria o orçamento de cada disputa.
Confidencialidade e fiscalização fazem parte da discussão
A atuação simultânea para diferentes clientes torna relevantes os mecanismos de proteção de informações. Em sua política pública de compliance, a FSB afirma que mantém sob sigilo os dados obtidos nos trabalhos e que a representação de clientes com conflitos de interesse depende do conhecimento e da autorização prévia das partes. Essas são diretrizes institucionais divulgadas pela empresa, não uma resposta específica à reportagem.
A existência de uma política não comprova, isoladamente, sua aplicação em cada situação; da mesma forma, o atendimento a diversos clientes não demonstra vazamento ou favorecimento. Nos materiais consultados, não foi identificada decisão de órgão de controle que estabeleça essas irregularidades em relação aos fatos abordados.
Para avaliar a dimensão financeira das contratações, o passo decisivo é relacionar contratos, aditivos, empresas executoras e pagamentos por período. A Secom mantém uma ferramenta destinada à divulgação da cronologia de pagamentos e da execução contratual. É esse detalhamento, confrontado com os serviços entregues, que permite verificar os totais divulgados e acompanhar o uso dos recursos públicos.
Fontes consultadas: Revista Liberta — reportagem de 7 de novembro de 2026; Secom — contrato de comunicação institucional e aditivos; Secom — contrato de pesquisas de opinião pública; FSB — política institucional de compliance.
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