Pedido na categoria B faz parte da estratégia da companhia dos irmãos Wesley e Joesley Batista para reforçar a governança, diversificar fontes de financiamento e avançar na transformação da holding em um conglomerado industrial global.
A J&F S.A., dos irmãos Wesley e Joesley Batista, solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro de companhia aberta na categoria B. Segundo informações publicadas pelo portal Seu Dinheiro, o pedido foi aberto em 14 de setembro de 2026 e permanece em análise. A iniciativa busca ampliar o acesso da empresa ao mercado de dívida e integra um processo de reestruturação anunciado pela companhia no início deste ano.
O registro na categoria B não significa que ações da J&F passarão a ser negociadas na bolsa de valores. Essa modalidade permite que empresas acessem o mercado de capitais por meio da emissão de títulos de dívida, como debêntures, sem necessariamente realizar uma oferta pública de ações.
A mudança ocorre enquanto a J&F amplia sua atuação e reorganiza os negócios controlados. O grupo reúne companhias de setores como alimentos, energia, celulose, mineração, higiene e cosméticos, incluindo JBS, Âmbar Energia, Eldorado Brasil Celulose, Flora e Lhg Mining.
Registro amplia exigências de governança
A obtenção do registro de companhia aberta também representa novas obrigações regulatórias para a J&F. Com a aprovação pela CVM, a companhia ficará sujeita a exigências relacionadas à divulgação periódica de informações financeiras e corporativas.
Entre essas obrigações estão a apresentação trimestral de resultados e a divulgação do formulário de referência, documento que reúne informações sobre estrutura societária, administração, atividades, riscos e outros aspectos relevantes da empresa.
O movimento representa uma continuidade do processo de fortalecimento da governança iniciado pela companhia durante sua reorganização. Em fevereiro, a J&F anunciou a criação de um novo conselho de administração e de um conselho fiscal composto por três membros independentes.
A companhia já utiliza o mercado brasileiro de dívida como fonte de financiamento. Em 2024, a J&F captou R$ 1 bilhão por meio de uma emissão de debêntures destinada a investidores profissionais.
J&F avança na transformação em conglomerado
A ampliação do acesso ao mercado de capitais faz parte de uma estratégia anunciada em fevereiro de 2026, quando a empresa apresentou seu plano para deixar de atuar exclusivamente como uma holding de investimentos e avançar na formação de um conglomerado industrial com operações próprias.
Uma das primeiras alterações ocorreu na identidade corporativa. A companhia deixou de utilizar o nome J&F Investimentos e passou a adotar J&F S.A.
Atualmente, o grupo possui operações em mais de 20 países e aproximadamente 297 mil colaboradores. Desse total, cerca de 180 mil trabalham no Brasil.
Os números financeiros também demonstram a dimensão das operações consolidadas. No primeiro trimestre de 2026, a J&F registrou receita líquida consolidada de R$ 119,6 bilhões, crescimento de 1,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado consolidado alcançou R$ 7,8 bilhões.
Negócios serão organizados em cinco áreas
Outro ponto da reorganização envolve a incorporação de empresas integralmente controladas pela J&F. O processo deverá começar pela Âmbar Energia.
Com exceção da JBS, as demais companhias totalmente controladas deverão ser incorporadas pela holding. A estratégia busca fazer com que a J&F passe a controlar diretamente as operações, em vez de permanecer apenas como proprietária de participações empresariais.
A estrutura será organizada em cinco unidades de negócio: Energia, representada pela Âmbar; Higiene e Cosméticos, com a Flora; Celulose, com a Eldorado Brasil; Mineração, por meio da Lhg Mining; e Alimentos, segmento no qual está inserida a JBS.
De acordo com a estratégia apresentada pela companhia, a diversificação das atividades busca reduzir a exposição individual aos riscos de cada segmento, ampliar as fontes de receita e melhorar as condições para futuras captações de recursos.
Apesar de as operações continuarem funcionando separadamente, a gestão financeira deverá ser realizada de forma centralizada. Segundo a própria empresa, essa estrutura permitirá direcionar capital entre diferentes negócios conforme as necessidades e oportunidades de cada área.
Expansão também ocorre por meio de aquisições
Além da reorganização interna, a J&F tem ampliado sua presença em diferentes setores por meio de investimentos e aquisições.
Em março de 2026, a companhia adquiriu 90% da Logás, empresa especializada em logística e distribuição multimodal de gás. A operação atende localidades que não possuem acesso direto a gasodutos.
Outra movimentação recente envolveu o setor de energia nuclear. Há pouco menos de um ano, a J&F adquiriu por R$ 535 milhões a participação que pertencia à Eletrobras na Eletronuclear.
O grupo também possui participação em negócios financeiros. No início de 2026, a fintech PicPay abriu capital na Nasdaq por meio de uma oferta de US$ 500 milhões.
Estratégia busca ampliar alternativas de financiamento
O pedido de registro apresentado à CVM acrescenta uma nova etapa à reorganização da J&F. Caso seja aprovado, o enquadramento como companhia aberta categoria B poderá facilitar novas operações no mercado de dívida, ao mesmo tempo em que exigirá maior transparência na divulgação de resultados e informações corporativas.
A estratégia combina diversificação dos negócios, centralização da gestão financeira, fortalecimento da governança e acesso a diferentes fontes de capital. Para investidores e agentes do mercado, o avanço do processo de registro na CVM será um dos próximos pontos a serem acompanhados na transformação da J&F em uma estrutura empresarial mais integrada.
Fonte: Seu Dinheiro
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